(Saccharum hibridas)
1 - Introdução
Originária do sudeste da Ásia, onde é cultivada desde épocas remotas, a
exploração canavieira assentou-se, no início, sobre a espécie S. officinarum. O
surgimento de várias doenças e de uma tecnologia mais avançada exigiram a
criação de novas variedades, as quais foram obtidas pelo cruzamento da S.
officinarum com as outras quatro espécies do gênero Saccharum e,
posteriormente, através de recruzamentos com as ascendentes.
Os trabalhos de melhoramento persistem até os dias atuais e conferem a
todas as variedades em cultivo uma mistura das cinco espécies originais e a
existência de cultivares ou variedades híbridas.
A importância da cana de
açúcar pode ser atribuída à sua múltipla utilização, podendo ser empregada in
natura, sob a forma de forragem, para alimentação animal, ou como matéria prima
para a fabricação de rapadura, melado, aguardente, açúcar e álcool.
2 - Clima e Solo
A cana-de-açúcar é cultivada numa extensa área territorial, compreendida
entre os paralelos 35º de latitude Norte e Sul do Equador, apresentando melhor
comportamento nas regiões quentes. O clima ideal é aquele que apresenta duas
estações distintas, uma quente e úmida, para proporcionar a germinação,
perfilhamento e desenvolvimento vegetativo, seguido de outra fria e seca, para
promover a maturação e conseqüente acumulo de sacarose nos colmos.
Solos profundos, pesados, bem estruturados, férteis e com boa capacidade
de retenção são os ideais para a cana-de-açúcar que, devido à sua rusticidade,
se desenvolve satisfatoriamente em solos arenosos e menos férteis, como os de
cerrado. Solos rasos, isto é, com camada impermeável superficial ou mal
drenados, não devem ser indicados para a cana-de-açúcar.
Para trabalhar com segurança em culturas semi-mecanizadas, que
constituem a maioria das nossas explorações, a declividade máxima deverá estar
em torno de 12%; declividade acima desse limite apresentam restrições às
práticas mecânicas.
Para culturas mecanizadas,
com adoção de colheitadeiras automotrizes, o limite máximo de declividade cai
para 8 a 10%.
3 - Cultivares
Um dos pontos que merece especial atenção do agricultor é a escolha do
cultivar para plantio. Isso não só pela sua importância econômica, como
geradora de massa verde e riqueza em açúcar, mas também pelo seu processo
dinâmico, pois anualmente surgem novas variedades, sempre com melhorias
tecnológicas quando comparadas com aquelas que estão sendo cultivadas. Dentre
as várias maneiras para classificação dos cultivares de cana, a mais prática é
quanto à época da colheita.Quando apresentarem longo Período de Utilização
Industrial (PUI), a indicação de alguns cultivares ocorrerá para mais de uma
época.
Atualmente os cultivares mais indicados para São Paulo e Estados
limítrofes são:
·
Para início de safra: SP80-3250, SP80-1842, RB76-5418, RB83-5486, RB85-5453
e RB83-5054
·
Para meio de safra: SP79-1011, SP80-1816, RB85-5113 e RB85-5536
·
Para fim de safra: SP79-1011, SP79-2313, SP79-6192, RB72-454, RB78-5148,
RB80-6043 e RB84-5257
Os cultivares SP79-2313,
RB72-454, RB78-5148, RB80-6043 e RB83-5486 caracterizam-se pela baixa exigência
em fertilidade de solo.
4 - Preparo do Terreno
Tendo a cana-de-açúcar um sistema radicular profundo, um ciclo
vegetativo econômico de quatro anos e meio ou mais e uma intensa mecanização
que se processa durante esse longo tempo de permanência da cultura no terreno,
o preparo do solo deve ser profundo e esmerado. Convém salientar que as
unidades sucroalcooleiras não seguem uma linha uniforme de preparo do solo,
tendo cada uma seu sistema próprio, variação essa que ocorre em função do tipo
de solo predominante e da disponibilidade de máquinas e implementos.
No preparo do solo, temos de considerar duas situações distintas:
- a cana vai ser implantada pela primeira vez;
- o terreno já se encontra ocupado com cana.
No primeiro caso, faz-se uma aração profunda, com bastante antecedência
do plantio, visando à destruição, incorporação e decomposição dos restos
culturais existentes, seguida de gradagem, com o objetivo de completar a
primeira operação. Em solos argilosos é normal a existência de uma camada
impermeável, a qual pode ser detectada através de trincheiras abertas no perfil
do solo, ou pelo penetrômetro.
Constatada a compactação do solo, seu rompimento se faz através de
subsolagem, que só é aconselhada quando a camada adensada se localizar a uma
profundidade entre 20 e 50 cm da superfície e com solo seco.
Nas vésperas do plantio, faz-se nova gradagem, visando ao acabamento do
preparo do terreno e à eliminação de ervas daninhas.
Na segunda situação, onde a cultura da cana já se encontra instalada, o
primeiro passo é a destruição da soqueira, que deve ser realizada logo após a
colheita. Essa operação pode ser feita por meio de aração rasa (15-20 cm) nas
linhas de cana, seguidas de gradagem ou através de gradagem pesada, enxada
rotativa ou uso de herbicida.
Se confirmada a compactação do solo, a subsolagem torna-se necessária.
Nas vésperas do plantio procede-se a uma aração profunda (25-30 cm), por meio
de arado ou grade pesada. Seguem-se as gradagens necessárias, visando manter o
terreno destorroado e apto ao plantio.
Devido à facilidade de transporte, à menor regulagem e ao maior
rendimento operacional, há uma tendência das grades pesadas substituírem o
arado.
5 - Calagem
A necessidade de aplicação de calcário é determinada pela análise
química do solo, devendo ser utilizado para elevar a saturação por bases a 60%.
Se o teor de magnésio for baixo, dar preferência ao calcário dolomítico.
O calcário deve ser aplicado o mais uniforme possível sobre o solo. A
época mais indicada para aplicação do calcário vai desde o último corte da
cana, durante a reforma do canavial, até antes da última gradagem de preparo do
terreno. Dentro desse período, quanto mais cedo executada maior será sua
eficiência.
6 - Adubação
Para a cana de açúcar há a necessidade de considerar duas situações
distintas, adubação para cana-planta e para soqueiras, sendo que, em ambas, a
quantificação será determinada pela análise do solo.
Para cana-planta, o fertilizante deverá ser aplicado no fundo do sulco
de plantio, após a sua abertura, ou por meio de adubadeiras conjugadas aos
sulcadores em operação dupla.
No quadro a seguir são indicadas as quantidades de nitrogênio, fósforo e
potássio a serem aplicadas com base na análise do solo e de acordo com a
produtividade esperada.
6.1 - Adubação Mineral de Plantio
Produtividade esperada
|
Nitrogênio
|
P resina, mg/dm³
|
|||
0 - 6
|
7 - 15
|
16 - 40
|
>40
|
||
t/ha
|
N, kg/ha
|
P2O5, kg/ha
|
|||
<100
100 - 150
>150
|
30
30
30
|
180
180
*
|
100
120
140
|
60
80
100
|
40
60
80
|
Produtividade esperada
|
K+ trocável, mmolc/dm³
|
||||
0 - 0,7
|
0,8 - 1,5
|
1,6 - 3,0
|
3,1 - 6,0
|
>6,0
|
|
t/ha
|
K2O, kg/ha
|
||||
<100
100 - 150
>150
|
100
150
200
|
80
120
160
|
40
80
120
|
40
60
80
|
0
0
0
|
* Não é provável obter a produtividade
dessa classe, com teor muito baixo de P no solo
Fonte: Boletim Técnico 100 IAC, 1996
Aplicar mais 30 a 60 kg/ha de N, em cobertura, durante o mês de abril;
em solo arenoso dividir a cobertura, aplicando metade do N em abril e a outra
metade em setembro - outubro.
Adubações pesadas de K2O devem ser parceladas, colocando no sulco de
plantio até 100 kg/ha e o restante juntamente com o N em cobertura, durante o
mês de abril.
Para soqueira, a adubação deve ser feita durante os primeiros tratos
culturais, em ambos os lados da linha de cana; quando aplicada
superficialmente, deve ser bem misturada com a terra ou alocada até a
profundidade de 15 cm.
Na adubação mineral da cana-soca aplicar as indicações do quadro a
seguir, observando os resultados da análise de solo e de acordo com a
produtividade esperada.
6.2 - Adubação Mineral da Cana-Soca
Produtividade esperada
|
Nitrogênio
|
P resina, mg/dm³
|
K+ trocável, mmolc/dm³
|
|||
0-15 > 15
|
0,15 1,5-3,0 > 3,0
|
|||||
t/ha
|
N, kg/ha
|
P2O5, kg/ha
|
K2O, kg/ha
|
|||
< 60
60 - 80
80 - 100
> 100
|
60
80
100
120
|
30
30
30
30
|
0
0
0
0
|
90
110
130
150
|
60
80
100
120
|
30
50
70
90
|
Fonte: Boletim Técnico 100 IAC, 1996
Aplicar os adubos ao lado das linhas de cana, superficialmente e
misturado ao solo, no máximo a 10 cm de profundidade.
Se for constatada deficiência de cobre ou de zinco, de acordo com a
análise do solo, aplicar os nutrientes com a adubação de plantio, nas
quantidades indicadas a seguir:
Zinco no solo
|
Zn
|
Cobre no solo
|
Cu
|
mg/dm³
|
kg/ha
|
mg/dm³
|
kg/ha
|
0-0,5
> 0,5
|
5
0
|
0-0,2
> 0,2
|
4
0
|
Fonte: Boletim Técnico 100 IAC, 1996
6.3 - Uso de Resíduos da Agroindústria
Canavieira
Atualmente há uma tendência em substituir a adubação química das socas
pela aplicação de vinhaça, cuja quantidade por hectare esta na
dependência da composição química da vinhaça e da necessidade da lavoura em nutrientes.
Os sistemas básicos de aplicação são por infiltração, por veículos e
aspersão, sendo que cada sistema apresenta modificações.
A torta de filtro (úmida) pode ser aplicada em área total (80-100 t/ha),
em pré-plantio, no sulco de plantio (15-30 t/ha) ou nas entrelinhas (40-50
t/ha). Metade do fósforo aí contido pode ser deduzido da adubação fosfatada
recomendada. (Boletim Técnico 100 IAC, 1996)
7 - Plantio
Existem duas épocas de plantio para a região Centro-Sul:
setembro-outubro e janeiro a março. Setembro-outubro não é a época mais
recomendada, sendo indicada em casos de necessidade urgente de matéria prima,
quer por recente instalação ou ampliação do setor industrial, quer por
comprometimento de safra devido à ocorrência de adversidade climática. Plantios
efetuados nessa época propiciam menor produtividade agrícola e expõem a lavoura
à maior incidência de ervas daninhas, pragas, assoreamento dos sulcos e
retardam a próxima colheita.
O plantio da cana de "ano e meio" é feito de janeiro a março,
sendo o mais recomendado tecnicamente. Além de não apresentar os inconvenientes
da outra época, permite um melhor aproveitamento do terreno com plantio de
outras culturas. Em regiões quentes, como o oeste do Estado de São Paulo, essa
época pode ser estendida para os meses subseqüentes, desde que haja umidade
suficiente.
O espaçamento entre os sulcos de plantio é de 1,40 m, sua profundidade
de 20 a 25 cm e a largura é proporcionada pela abertura das asas do sulcador
num ângulo de 45º, com pequenas variações para mais ou para menos, dependendo
da textura do solo.
Os colmos com idade de 10 a 12 meses são colocados no fundo do sulco,
sempre cruzando a ponta do colmo anterior com o pé do seguinte e picados, com
podão, em toletes de aproximadamente de três gemas.
A densidade do plantio é em torno de 12 gemas por metro linear de sulco,
que, dependendo da variedade e do seu desenvolvimento vegetativo, corresponde a
um gasto de 7-10 toneladas por hectare.
Os toletes são cobertos com uma camada de terra de 7 cm, devendo ser
ligeiramente compactada. Dependendo do tipo de solo e das condições climáticas
reinantes, pode haver uma variação na espessura dessa camada.
8 - Tratos Culturais
Os tratos culturais na cana-planta limitam-se apenas ao controle das
ervas daninhas, adubação em cobertura e adoção de uma vigilância fitossanitária
para controlar a incidência do carvão. No que concerne à adubação em cobertura,
já foi visto no item adubação e a vigilância fitossanitária será comentada em
doenças e seu controle.
O período crítico da cultura, devido à concorrência de ervas daninhas,
vai da emergência aos 90 dias de idade.
O controle mais eficiente as ervas, nesse período, é o químico, através
da aplicação de herbicidas em pré-emergência, logo após o plantio e em área
total. Dependendo das condições de aplicação, infestação da gleba e eficiência
do praguicida, há necessidade de uma ou mais carpas mecânicas e catação manual
até o fechamento da lavoura. A partir dai a infestação de ervas é praticamente
nula.
Outro método é a combinação de carpas mecânicas e manuais. Instalada a
cultura, após o surgimento do mato, procede-se seu controle mecanicamente, com
o emprego de cultivadores de disco ou de enxadas junto às entrelinhas, sendo
complementado com carpa manual nas linhas de plantio, evitando, assim, o
assoreamento do sulco. Essa operação é repetida quantas vezes forem
necessárias; normalmente três controles são suficientes.
As soqueiras exigem enleiramento do "paliço", permeabilização
do solo, controle das ervas daninhas, adubação e vigilância sanitária. Os dois
últimos tratos culturais encontram-se em itens próprios.
Após a colheita da cana, ficam no terreno restos de palha, folhas e
pontas, cuja permanência prejudica a nova brotação e dificulta os tratos
culturais. A maneira de eliminar esse material (paliço) seria a queima pelo
fogo, porém essa prática não é indicada devido aos inconvenientes que ela
acarreta, como falhas na brotação futura, perdas de umidade e matéria orgânica
do solo e quebra do equilíbrio biológico.
O enleiramento consiste no amontoamento em uma rua do "paliço"
deixando duas, quatro ou seis ruas livres, dependendo da quantidade desse
material. É realizado por enleiradeira tipo Lely, implemento leve com pouca
exigência de potência.
Após a retirada da cana, o solo fica superficialmente compactado e
impermeável à penetração de água, ar e fertilizantes. Visando à permeabilização
do solo e controle das ervas daninhas iniciais, diversos métodos e implementos
podem ser usados.
Existem no mercado implementos dotados de hastes semi-subsoladoras ou
escarificadoras, adubadeiras e cultivadores que realizam simultaneamente,
operações de escarificação, adubação, cultivo e preparo do terreno para receber
a carpa química, exigindo, para tanto, tratores de aproximadamente 90 HPs.
Normalmente, essa prática, conhecida como operação tríplice, seguida do cultivo
químico, é suficiente para manter a soqueira no limpo.
Além desse sistema, o emprego de cultivadores ou enxadas rotativas com
tração animal ou mecânica apresenta bons resultados. Devido ao rápido
crescimento das soqueiras, o número de carpas exigidos é menor que o da cana
planta.
9 - Pragas e seu controle
A cana-de-açúcar é atacada por cerca de 80 pragas, porém pequeno número
causa prejuízos à cultura. Dependendo da espécie da praga presente no local,
bem como do nível populacional dessa espécie, as pragas de solo podem provocar
importantes prejuízos à cana-de-açúcar, com reduções significativas nas
produtividades agrícola e industrial dessa cultura.
Dos organismos que a atacam, três
merecem destaque pelos danos que causam: os nematóides, os cupins e o besouro Migdolus. Veja mais detalhes em Pragas da Cana-de-Açúcar.
10 - Colheita
A colheita inicia-se em maio e em algumas unidades
sucroalcooleiras em abril, prolongando-se até novembro, período em que a planta
atinge o ponto de maturação, devendo, sempre que possível, antecipar o fim da
safra, por ser um período bastante chuvoso, que dificulta o transporte de
matéria prima e faz cair o rendimento industrial.
11 - Maturadores Químicos
São produtos químicos que tem a propriedade de paralisar o
desenvolvimento da cana induzindo a translocação e o armazenamento dos
açúcares. Vêm sendo utilizados como um instrumento auxiliar no planejamento da
colheita e no manejo varietal. Muitos compostos apresentam, ainda, ação
dessecante, favorecendo a queima e diminuindo, portanto, as impurezas vegetais.
Há uma ação inibidora do florescimento, em alguns casos, viabilizando a
utilização de variedades com este comportamento.
Dentre os produtos comerciais utilizados como maturadores, podemos
citar: Ethepon, Polaris, Paraquat, Diquat, Glifosato e Moddus. Estudos sobre a
época de aplicação e dosagens vêm sendo conduzidos com o objetivo de
aperfeiçoar a metodologia de manejo desses produtos, que podem representar
acréscimos superiores a 10% no teor de sacarose.
12 - Determinação do Estágio de
Maturação
O ponto de maturação pode ser determinado pelo refratômetro de campo e
complementado pela análise de laboratório. Com a adoção do sistema de pagamento
pelo teor de sacarose, há necessidade de o produtor conciliar alta
produtividade agrícola com elevado teor de sacarose na época da colheita.
O refratômetro fornece diretamente a porcentagem de sólidos solúveis do
caldo (Brix). O Brix esta estreitamente correlacionado ao teor de sacarose da
cana.
A maturação ocorre da base para o ápice do colmo. A cana imatura
apresenta valores bastante distintos nesses seguimentos, os quais vão se
aproximando no processo de maturação. Assim, o critério mais racional de
estimar a maturação pelo refratômetro de campo é pelo índice de maturação (IM),
que fornece o quociente da relação.
IM=Brix da ponta do colmo
Brix da base
do colmo
Admitem-se para a cana-de-açúcar, os seguintes estágios de maturação:
IM
|
Estágio de Maturação
|
< 0,60
0,60 - 0,85
0,85 - 1,00
> 1,00
|
cana verde
cana em maturação
cana madura
cana em declínio de maturação
|
As determinações tecnológicas em laboratório (brix, pol, açúcares
redutores e pureza) fornecem dados mais precisos da maturação, sendo, a rigor,
uma confirmação do refratômetro de campo.
13 - Operação de Corte (manual e/ou
mecanizada)
O corte pode ser manual, com um rendimento médio de 5 a 6
toneladas/homem/dia, ou mecanicamente, através de colheitadeiras. Existem
basicamente dois tipos: colheitadeira para cana inteira, com rendimento
operacional médio em condições normais de 20 t/hora, e colheitadeiras para cana
picada (automotrizes), com rendimento de 15 a 20 t/hora.
Após o corte, a cana-de-açúcar deve ser transportada o mais rápido
possível ao setor industrial, por meio de caminhão ou carreta tracionada por
trator.
14 - Rendimento Agrícola
Em relação à produtividade e região de plantio, observamos que a
produtividade está estritamente relacionada com o ambiente de produção, e este
é dado por padrão do solo, clima e nível tecnológico aplicado.
15 - Produção de Mudas
Após, em média, quatro ou cinco cortes consecutivos, a lavoura
canavieira precisa ser renovada. A taxa de renovação está ao redor de 15 a 20%
da área total cultivada, exigindo grandes quantidades de mudas. A boa qualidade
das mudas é o fator de produção de mais baixo custo e que maior retorno
econômico proporciona ao agricultor, principalmente quando produzida por ele
próprio.
Para a produção de mudas, há necessidade de que o material básico seja
de boa procedência, com idade de 10 a 12 meses, sadio, proveniente de
cana-planta ou primeira soca e que tenha sido submetido ao tratamento térmico.
A tecnologia empregada na produção de mudas é praticamente a mesma
dispensada à lavoura comercial, apenas com a introdução de algumas técnicas
fitossanitárias, tais como:
- Desinfecção do podão - o podão
utilizado na colheita de mudas e no seu corte em toletes, quando contaminado, é
um violento propagador da escaldadura e do raquitismo. Antes e durantes estas
operações deve-se desinfetar o podão, através de álcool, formol, lisol, cresol
ou fogo. Uma desinfecção prática, eficiente e econômica é feita pela imersão do
instrumento numa solução com creolina a 10% (18 litros de água + 2 litros de
creolina) durante meia hora, antes do início da colheita das mudas e do corte
das mesmas em toletes.
Durante essas duas operações, deve-se mergulhar, freqüente e
rapidamente, o podão na solução.
- Vigilância sanitária e "roguing" - formando o
viveiro, torna-se imprescindível a realização de inspeções sanitárias
freqüentes, no mínimo uma vez por mês. A finalidade dessas inspeções é a
erradicação de toda touceira que exiba sintoma patológico ou características
diferentes da variedade em cultivo.
Além dessas duas medidas fitossanitárias, algumas recomendações
agronômicas devem ser levadas em consideração, como a despalha manual das
mudas, menor densidade das mudas dentro do sulco e maior parcelamento do
fertilizante nitrogenado.
- Rotação de culturas -
durante a reforma do canavial, no período em que o terreno permanece ocioso,
deve-se efetuar o plantio de culturas de ciclo curto, em rotação com a
cana-de-açúcar. Amendoim e soja são as mais indicadas.
Além dos conhecidos benefícios agronômicos proporcionados pela rotação
de culturas, a cana-de-açúcar permite a consorciação com outra cultura,
aproveitando o terreno numa época em que estaria ocioso, proporcionando melhor
aproveitamento de máquinas e implementos. A implantação da cultura é feita sem
gasto financeiro correspondente ao preparo do solo, havendo menor exposição do
terreno à erosão e às ervas daninhas e diminuição da sazonalidade de empregos.
Referências Bibliográficas
Cooperativa Central dos Produtores de açúcar e Álcool do Estado de São
Paulo
Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz"
Fundação Instituto Agronômico do Paraná
Junho, J. A. C. Normas técnicas para produção de mudas selecionadas de
cana-de-açúcar
Landell, M. G. A. Cultura da cana-de-açúcar - tecnologia para o pequeno
produtor
Raij, B. et al. Recomendações de adubação e calagem para o Estado de São
Paulo
















